Caminhos do crescimento

 

Artigo escrito para a coluna “Mercado Imobiliário”, sob responsabilidade do Engenheiro e Advogado Francisco Maia Neto, publicada quinzenalmente no jornal Estado de Minas, de Belo Horizonte-MG

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A turbulência nos mercados financeiros registrada no início do mês de agosto fez com que muitos passassem a duvidar das projeções de crescimento da economia brasileira, especialmente do mercado imobiliário, não obstante o número de unidades financiadas este ano ter tido expressivo crescimento, caminhando para superar um volume de R$ 17 bilhões.

Hoje vivemos um cenário onde a questão da moradia deixou de ser assunto exclusivo do poder público, com crescente participação da iniciativa privada, especialmente em função de mecanismos criados ultimamente, como o instituto da alienação fiduciária imobiliária, que diminuiu os riscos da inadimplência, incentivando a expansão da oferta de móveis e do crédito.

Surgiram também medidas governamentais, como a que permite os financiamentos com prestações fixas, reduzindo a taxa de juros e permitindo ao tomador do empréstimo um planejamento nas despesas familiares inimaginável a pouco tempo atrás.

O mais importante, no que diz respeito à trajetória ascendente do mercado imobiliário, indicando que o Brasil ainda não atingiu o tão sonhado “boom imobiliário” refere-se à baixa participação do crédito imobiliário no PIB nacional, da ordem de 2%, muito baixo em relação a outros países que já passaram por experiências semelhantes à nossa.

Um exemplo sempre citado é o do México, cuja participação entre os anos de 1995 e 2004 saltou de 1% do PIB para 11%, ou a Espanha, que passou de 19% para 44% em sete anos, e o Chile, que embora tenha tido um crescimento mais modesto, atingiu a expressiva marca de 17% do PIB no ano de 2004.

Todos trilharam no mesmo caminho que a economia brasileira norteia o mercado imobiliário, cuja fórmula bem sucedida combina controle da inflação, redução das taxas de juros e aumento dos prazos de financiamento.

Outro indicador interessante se refere ao percentual do crédito imobiliário em relação ao crédito total disponibilizado à população, que no Brasil ainda é considerado muito baixo, na casa dos 5%, enquanto na Espanha é de 36% e no Chile e no México representam 25% do total.

Ainda que alguns acreditem que a trajetória descente da taxa Selic  possa ser momentaneamente interrompida, o cenário atual permite inferir que trata-se de um indicador irreversível, caminhando para a casa de um dígito, o que resultará na redução ainda maior dos juros nos financiamentos imobiliários, permitindo em um curto espaço de tempo que as famílias de menor renda possam adquirir suas casas com mensalidades fixas por 20 anos, gerando um círculo virtuoso a toda cadeia, beneficiando quem constrói, financia, compra ou vende.

Aliado a isto chama a atenção a crescente participação nas bolsas de valores das empresas construtoras e incorporadoras, cuja abertura de capital permite uma maior captação e recursos para a produção, incrementando a oferta de imóveis, o que tem atraído a atenção de investidores estrangeiros.

Por tudo isto, ainda que surjam intempéries, o Brasil caminha para repetir a história registrada em outros países, desde que mantidos os fundamentos de estabilidade econômica, crescimento da renda familiar, redução do desemprego, expansão do PIB, desregulamentação do mercado e segurança jurídica das operações de crédito.

 

 

 

 

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