Material certificado

 

Artigo escrito para a coluna “Mercado Imobiliário”, sob responsabilidade do Engenheiro e Advogado Francisco Maia Neto, publicada quinzenalmente no jornal Estado de Minas, de Belo Horizonte-MG

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A onda verde parece ter chegado definitivamente ao setor imobiliário, onde o conceito de sustentabilidade está cada vez mais presente nas novas edificações, onde muitas iniciativas tomam corpo, sendo que um dos entraves verificados nessa fase inicial está justamente na incerteza quanto à qualidade e boa-fé dos produtos a serem utilizados.

No caso dos materiais de construção convencionais, o mercado imobiliário amadureceu bastante, existindo uma gama de normas técnicas voltadas à esse segmento, o que não acontece com os materiais sustentáveis, até porque carecem de parâmetros para classificá-los.

Foi pensando nessa lacuna que recentemente o IBF (Instituto Falcão Bawer), de São Paulo, em parceria com o IDHEA (Instituto para o Desenvolvimento de Habitação Ecológica), lançou o Selo Ecológico Falcão Bawer, cujo objetivo é facilitar a escolha de quem quer certificar a idoneidade desses materiais.

O selo verde para materiais de construção busca determinar não só as qualidades técnicas e as vantagens sócio ambientais dos materiais de construção, mas também dos produtos relacionados a outras indústrias, tais como têxteis e químicas.

Como os especialistas avaliam que o mercado ainda encontra-se imaturo, uma vez que existem materiais interessantes mas não há como comprovar do que ou como são feitos, essa iniciativa trará ganhos em vários sentidos, uma vez que, sem ser aprovado no quesito normas técnicas, o candidato não pode ser submetido  à avaliação sócio ambiental.

Para obter a certificação do IFB a empresa interessada deverá preencher um formulário onde indicará o processo de produção, indicando os benefícios que traz à sociedade e ao ambiente, além de especificar as matérias-primas de seu produto, o que é analisado pela instituição, através de visita à fábrica e avaliação do material.

Numa primeira avaliação, é verificada sua conformidade com as Normas Técnicas existentes no Brasil, e, em caso de ausência, às normas estrangeiras, ou ainda, submetido a uma comissão que definirá os parâmetros de qualidade e resistência, passando então à análise da composição do produto, verificando se não possui componentes tóxicos ou inadequados.

Finalmente parte para a análise do ciclo de vida do produto, que percorre desde o impacto ambiental de sua fabricação até o seu descarte, incluindo visitas ao local de extração e verificação de fornecedores, culminando  com a entrega do selo, o que ocorre em diferentes níveis e exige verificação anual para validar a certificação.

Quanto aos níveis, a classificação dos produtos inicia-se com aqueles aceitáveis, que indicam baixo impacto ambiental (pré-ecologia), que encontram-se no caminho da sustentabilidade (pró-ecologia), aqueles feitos com matéria natural e de baixo consumo de energia (básico), os que cumprem as exigências de fabricação e um item social (master) e os mais abrangentes, cujas empresas aliam ações ambientais e sociais (plus).

Embora este seja um passo importante, especialistas advertem que não adianta discutir os materiais sem pensar no processo construtivo, embora reconheçam que a certificação dos benefícios ambientais e sociais dos produtos é um importante passo para a sustentabilidade na construção civil.

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