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Prédio certificado

 

Artigo escrito para a coluna “Mercado Imobiliário”, sob responsabilidade do Engenheiro e Advogado Francisco Maia Neto, publicada quinzenalmente no jornal Estado de Minas, de Belo Horizonte-MG

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O mês de julho de 2007 marcou o primeiro prédio no país a receber o certificado para edificações sustentáveis, que não se restringe às áreas verdes, como muitos podem supor, mas abrange desde os materiais utilizados na obra até os procedimentos adotados na construção.

Trata-se de uma agência do Banco Real inaugurada em janeiro, localizada na cidade de Cotia, na Grande São Paulo, que recebeu o selo americano denominado Leed, sigla em inglês para denominar Liderança em Energia e Desenho Ambiental.

A busca do certificado no exterior se explica porque o Brasil ainda não possui um órgão credenciado para qualificar a sustentabilidade de uma obra.

Dentre os itens que credenciaram esse edifício a receber esta classificação estão o tratamento de água para reúso, madeira certificada, tintas e colas à base de água e bloco cerâmico reciclado, que resultam não só na questão ambiental, mas geram economia na manutenção, além de redução no custo operacional, especialmente nos itens de energia e água.

Na esteira deste pioneiro empreendimento, existem outros três edifícios em processo de obtenção do Leed, o que demonstra o crescimento na demanda por esta qualificação, que o mercado tem denominado “prédios verdes”.

Não obstante, ainda existem problemas para a construção de edifícios sustentáveis no Brasil, um deles a necessidade de que não possuem fornecedores nacionais, como os painéis solares, resultando no encarecimento da obra, que no empreendimento já certificado foi 30,00% maior.

Além disso, especialistas que orientam os projetos sustentáveis na compra de materiais alertam para a aquisição da matéria prima, mais especificamente daqueles que se auto-intitularam sustentáveis, em função da inexistência do credenciamento específico para os fabricantes, o que obriga a acreditar na palavra do fabricante.

A alternativa encontrada até o momento tem sido buscar orientação em experiências já praticadas em outros países, e criar um manual de avaliação e compra dos materiais.

Seguindo o roteiro indicado pelos organismos internacionais, as exigências atingem também a condução e a logística da obra, que não permite a compra de fornecedores situados em um raio superior a 800 quilômetros da obra, exatamente para poupar a energia no transporte.

Com o crescimento da demanda, assim como ocorreu em outros países, que criaram seus próprios selos, o Conselho Brasileiro de Construção Sustentável prepara para o lançamento da primeira certificação brasileira.

 

 

 

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