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 Edifícios ecológicos

 

Artigo escrito para a coluna “Mercado Imobiliário”, sob responsabilidade do Engenheiro e Advogado Francisco Maia Neto, publicada quinzenalmente no jornal Estado de Minas, de Belo Horizonte-MG

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Criticada mundialmente pela pouca preocupação com o meio ambiente, a China anunciou recentemente que está investindo em construções ambientalmente responsáveis, tendo sido lançado seu primeiro edifício ecológico, com uma economia de até 70% de energia e 60% de água, o que lhe valeu uma certificação internacional.

Concebido por profissionais americanos e chineses, esta construção destinada a escritórios constitui-se no primeiro edifício no país a receber o “LEED”, sigla em inglês de Liderança em Energia e Design Ambiental, que é um certificado criado por um grupo de empresários da construção nos Estados Unidos, preocupados com a preservação do meio ambiente.

Para imaginarmos a dimensão da iniciativa, foi feita uma projeção sobre o impacto que resultaria se esta tecnologia fosse aplicada em todos os edifícios comerciais na China. A economia energética obtida anualmente seria equivalente à Usina Hidrelétrica de Três Gargantas, o megaprojeto chinês do Rio Yangtse, com capacidade de 18.200 megawatts, que fará com que supere Itaipu, transformando-se na maior usina do mundo.                  

O projeto contempla iniciativas que começam pelo telhado, cujo terraço acumula 70% da água da chuva e filtra os agentes poluentes, utilizando espécies naturais de Pequim, além de painéis solares, que fornecem 10% de toda a energia consumida no edifício.

As janelas possuem um filtro invisível, que evita a entrada do calor no verão e sua saída no inverno, enquanto os mictórios não usam água, mas uma cera com agentes descontaminantes, que permite uma economia anual de 15 mil litros de água.

No Brasil também já começa a surgir esta preocupação com a gestão ambiental, onde se procura negócios economicamente rentáveis e ambientalmente sustentáveis, que resultam em empreendimentos operacionalmente mais econômicos, como por exemplo, com a reutilização das águas das chuvas, o que reduz o volume mensal de gastos.

Na cidade de São Paulo, um edifício lançado no bairro de Vila Nova Conceição representa um avanço nesse conceito, resultando no recebimento do prêmio internacional Holcim de Construção Sustentável, por ter recursos como o uso do lençol freático nas descargas dos vasos sanitários, lavagem de pisos e veículos, irrigação e sistema de incêndio.

Somente esta iniciativa compreende uma economia média mensal de 180 metros cúbicos de água, cuja qualidade é garantida pela aplicação de gás ozônio, além de uma redução em aproximadamente  5.581 quilowatts-hora devido ao aquecimento da água com energia solar e bombas de calor.

Outras soluções também foram implementadas, como utilização de luzes fluorescentes nas áreas comuns, cimento que reduz a emissão de gases carbônicos e revestimento com materiais metálicos reutilizáveis, dentre outros.

Embora estas iniciativas representem um avanço, os especialistas indicam que o conceito de sustentabilidade não pode ser um novo apelo de marketing, restrito ao mínimo impacto ambiental e menor consumo de energia, devendo abranger o crescimento econômico com equilíbrio ecológico e social.

 

 

 

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