Engenharia de Avaliações

 

Artigo escrito para a coluna “Mercado Imobiliário”, sob responsabilidade do Engenheiro e Advogado Francisco Maia Neto, publicada quinzenalmente no jornal Estado de Minas, de Belo Horizonte-MG

Sempre que o noticiário dos jornais estampam notícias sobre corrupção, especialmente quando se discute a variação patrimonial dos envolvidos, surge uma discussão sobre o real valor dos bens declarados. O que muitas vezes se omite é a existência de uma ciência, com grande difusão em nosso país, denominada Engenharia de Avaliações.

Desde os primórdios do século, em decorrência da utilização da metodologia científica ser aplicada na avaliação de imóveis em países desenvolvidos, a Engenharia de Avaliações vem se desenvolvendo como uma ciência autônoma, com a utilização de processos cada vez mais avançados na busca da determinação do valor.

O crescimento urbano verificado nos grandes centros no período anterior a Segunda Guerra Mundial, conduziu o poder público um grande número de desapropriações, o que abrigou o implemento de estudo no campo das avaliações.

Paralelamente, o avanço do setor imobiliário permitiu aos engenheiros que participavam das desapropriações acompanharem a evolução do mercado, em especial no que se referia as transações e locações.

No final da década de trinta a utilização da estatística como ferramenta indispensável da prática da engenharia de avaliações permitiu aos profissionais apresentarem estudos concretos. Estes conceitos, hoje tão comuns em casos de avaliações imobiliárias elaboradas por engenheiros, se incorporaram definitivamente à espécie, ao lado de análises relativas ao uso e ocupação do solo, posturas municipais, infra-estrutura urbana, depreciação física, custo de construção e conceitos arquitetônicos.

Tudo isso só foi possível porque as variáveis que compõem a formação do valor vêm sendo estudadas por profissionais e entidades, na busca constante de métodos e técnicas que garantam uma conclusão segura nos trabalhos arquitetônicos.

O profissional, oriundo de um curso de formação em Engenharia Civil ou Arquitetura, dispõe no currículo escolar de cadeiras que integram os requisitos indispensáveis ao manuseio da técnica avaliatória, permitindo assim que estas avaliações se divorciem das opiniões, e se apresentem com a objetividade necessária à completa fundamentação na determinação do valor imobiliário.

Esta metodologia deve um marco na história da engenharia de Avaliações, quando o Engenheiro Luiz Carlos Berrini, na década de 40, escreveu a mais significativa obra do gênero, o livro intitulado "Avaliações de imóveis".

Nesse trabalho, o sábio profissional procurou englobar os conceitos fundamentais para identificação dos atributos que compõem o valor do imóvel, no que se refere às testadas, profundidades, relações frente fundos, área equivalente, e tantos outros que fundamentam o trabalho do técnico.

Com a evolução dos processos avaliatórios, novos estudos foram surgindo, que resultaram na Norma Brasileira para Avaliação de Bens (NBR-14.653) da ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas), que é composta de sete partes, básica, imóveis urbanos, imóveis rurais, empreendimentos, máquinas e equipamentos, bens ambientais e patrimônio histórico.

Toda metodologia se baseia no uso da estatística inferencial, uma técnica eficaz na busca da fundamentação do objetivo do trabalho avaliatório, que permitem as análises necessárias à real situação da questão colocada em discussão.

Neste contexto, o Brasil sediará o I Seminário Internacional de Normas Internacionais de Avaliações, promovido pelo IBAPE – Instituto Brasileiro de Avaliações e Perícias de Engenharia, em conjunto com o IVSC – Internacional Valuation Standard Committee, ou Comitê Internacional de Normas de Avaliação, quando serão discutidas as Normas nacionais e internacionais, bem como o estado da arte do mercado imobiliário atual.

 

 

 

Rua Congonhas, 494 - Santo Antônio - CEP 30330-100 - Belo Horizonte - MG

Fone: +55 31 3281.4030 - Fax: +55 31 3281.4838 - geral@precisaoconsultoria.co