Retrofit e escassez de terrenos

 

Artigo escrito para a coluna “Mercado Imobiliário”, sob responsabilidade do Engenheiro e Advogado Francisco Maia Neto, publicada quinzenalmente no jornal Estado de Minas, de Belo Horizonte-MG

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Levantamento recente realizado nos dois maiores centros urbanos do país revelam uma diminuição na disponibilidade de imóveis comerciais para escritórios em relação ao total da população, fenômeno que vem ocorrendo também em outras cidades, principalmente devido ao incremento da atividade econômica nos últimos anos.

Na cidade de São Paulo, que conta com uma população de aproximadamente 11 milhões de habitantes, no ano de 2009 havia disponibilidade de um metro quadrado per capita desse tipo de imóvel corporativo, enquanto no Rio de Janeiro, os 6 milhões de habitantes dispunham de 5 milhões de metros quadrados, ou seja, uma relação ainda menor.  

A razão para esta situação de baixa disponibilidade refere-se à escassez de espaços urbanos, principalmente terrenos vagos, ou mesmo construções em condições de serem suprimidas para dar espaço a modernos edifícios, disponíveis para serem utilizados nesses tipos de empreendimentos.

 O estudo revelou que nos últimos dez anos foram colocados no mercado aproximadamente 1,8 milhões de metros quadrados de lajes corporativas, mas somente próximo de um terço ocorreu nos últimos cinco anos o que revela uma redução de lançamentos.

Nas duas cidades, o fenômeno se reflete nos dois principais índices de aferição do comportamento do mercado imobiliário, a absorção líquida, que mede a variação da ocupação, chegando a 90,00% desde 2004 em São Paulo, e a taxa de vacância, que é o percentual de imóveis vazios, se mostrou baixo, da ordem de 6,5% em 2009.

Nesse contexto surge a idéia da utilização do retrofit, técnica de restauração e modernização de antigos edifícios, para suprir a demanda, se mostrando bem ativo principalmente no Rio de Janeiro, cujas áreas centrais praticamente se esgotaram.

Com a proximidade da Copa do Mundo de 2014 e das Olimpíadas no Rio de Janeiro em 2016, espera-se que a estratégia se estenda ao setor hoteleiro, cuja estrutura e instalações já possuem destinação específica, devendo a restauração estar focada especialmente na fachada e na solução de patologias construtivas decorrentes do desgaste natural decorrente do tempo em uso.

No caso de Belo Horizonte, com a possibilidade de aprovação de uma legislação de uso do solo restritiva e a certeza da desocupação de diversos edifícios comerciais na região centro-sul, com a conclusão do Centro Administrativo, a utilização do retrofit pode ser uma alternativa viável, que terá como conseqüência a esperança de revitalização de algumas áreas.

 

 

 

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